Em processo de adequação ao regime das SPSAV, na modalidade de intermediária de ativos virtuais, nos termos da Resolução BCB nº 520/2025 (regime de transição do art. 88)

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Stable News

SWIFT faz sua primeira transação onchain oficial

Depósitos tokenizados avançam enquanto EUA e Europa definem suas regras

Caio Barbosa

Fundador & CO-CEO

Forbes Under 30. Uma das principais vozes em Fintech & Crypto no Brasil. Escreve semanalmente sobre stablecoins, pagamentos e o futuro da infraestrutura financeira na América Latina.

Imagem de capa do artigo do blog da Lumx: SWIFT faz sua primeira transação oficial on-chain
Imagem de capa do artigo do blog da Lumx: SWIFT faz sua primeira transação oficial on-chain

Esta foi uma semana de aparente calmaria nas manchetes globais. Mas quando o barulho diminui, costuma ser sinal de que tem gente construindo em silêncio, e foi mais ou menos isso que se viu.

A infraestrutura bancária tradicional deu um passo concreto rumo à liquidação tokenizada, enquanto Estados Unidos e Europa avançaram, cada um no seu ritmo, no arcabouço regulatório.

E, no campo do capital, o dinheiro institucional apareceu em duas frentes que se completam, ligando stablecoin a produto bancário de um lado e a crédito do outro.

Tempo de leitura: 5 minutos

Standard Chartered e HSBC fazem a primeira transação ao vivo no ledger da SWIFT

Em resumo:

  • Primeira transação transfronteiriça ao vivo no ledger compartilhado da SWIFT, seis semanas após a rede abrir para os primeiros bancos.

  • Cada banco conectou seu próprio sistema de depósito tokenizado, e o ledger casou e compensou as obrigações antes da liquidação final pelos sistemas já em uso.

  • O piloto reúne 17 bancos em seis continentes, entre eles Citi, BNP Paribas, BNY, Wells Fargo, UBS, MUFG, DBS e ANZ.

Standard Chartered e HSBC executaram no dia 19 a primeira transação ao vivo no ledger blockchain da SWIFT. As mensagens de pagamento passaram pelo ledger, e as obrigações resultantes ficaram registradas no Tokenised Deposit Service do HSBC e na infraestrutura de depósito tokenizado do Standard Chartered.

A SWIFT vinha testando blockchain desde 2023, em pilotos com Chainlink, UBS e redes simuladas de CBDC. A novidade aqui é a saída do ambiente de teste. E vale entender o que ela está fazendo, porque é fácil confundir com uma stablecoin. Numa stablecoin, o token que anda na rede é o próprio dinheiro, e transferir o token já é a liquidação. No desenho da SWIFT é diferente: o dinheiro continua sendo depósito dentro de cada banco, e o ledger compartilhado entra como camada de coordenação, que combina e compensa entre as instituições quem deve o quê antes de cada uma liquidar no seu sistema. Em vez de criar um ativo que todos carregam, a SWIFT oferece um ponto comum onde os bancos se encontram sem sair do perímetro regulado.

OCC pretende finalizar as regras do GENIUS Act até novembro

Em resumo:

  • O Comptroller Jonathan Gould afirmou, em evento em Wyoming, que o OCC quer concluir a regulamentação até novembro.

  • A proposta tem 376 páginas e cobre reservas, resgate ao par, liquidez, gestão de risco, auditoria, custódia e wind-down.

  • Os pedidos de emissores só devem começar a ser processados em 2027.

Gould afirmou que o OCC pretende publicar a regra final até novembro para começar a processar pedidos já no ano seguinte, depois de as agências americanas terem perdido o prazo original de julho. As regras de AML e sanções seguem em um processo separado, tocado junto ao Tesouro.

Para quem planeja emitir ou distribuir stablecoin nos Estados Unidos, o recado é que o calendário deixou de ser uma incógnita, ainda que a fila só abra de fato em 2027. É justamente nesse intervalo, entre a regra sair e os pedidos começarem, que dá para organizar reserva, custódia e auditoria com calma. Gould ainda mencionou um aumento de oito vezes na atividade de chartering de ativos digitais frente à gestão anterior.

Alemanha amplia a liderança no MiCA com seis novos bancos

Em resumo:

  • A ESMA adicionou seis bancos cooperativos alemães ao registro do MiCA.

  • A Alemanha chega a 79 prestadores autorizados, à frente de França (35) e Holanda (29).

  • O total de prestadores autorizados na União Europeia subiu para 331.

A ESMA atualizou o registro do MiCA e incluiu seis bancos cooperativos alemães, levando a Alemanha a 79 prestadores autorizados. Eram 57 no fim de junho, o que mostra a velocidade com que o país está se consolidando.

A própria BaFin já tinha explicado que esse volume reflete o tamanho do setor financeiro alemão e um regime de licenciamento nacional anterior ao MiCA, que abriu um caminho mais simples para várias instituições na transição. Na prática, a dianteira vem de casa arrumada, e o país de origem da licença vira uma decisão estratégica para quem quer o passaporte europeu.

SBI lidera rodada de US$ 68 milhões na Fasset, avaliada em US$ 1 bilhão

Em resumo:

  • O SBI Group liderou uma Série C de US$ 68 milhões na Fasset, plataforma de neobanking em stablecoin, a um valuation de US$ 1 bilhão.

  • A rodada vem logo depois de uma Série B de US$ 51 milhões em maio, somando US$ 119 milhões captados em 2026.

  • As empresas planejam um banco digital conjunto na Malásia.

O SBI Group liderou a Série C da Fasset, que já processa mais de US$ 40 bilhões em volume anualizado e opera em 125 países. O capital vai para a expansão da "Own Network", que conecta bancos, empresas de pagamento e provedores de liquidez em mais de 100 corredores bancários, além do uso de IA em liquidação, tokenização e banking cross-border.

Somando ao histórico do SBI, o movimento reforça uma tese asiática bem consistente: apostar em infraestrutura de stablecoin com cara de banco, e não de exchange. É a combinação de licença, distribuição e trilho próprio que transforma stablecoin em produto bancário de verdade, e é nesse formato que o dinheiro institucional da região tem entrado.

FalconX e Ethena criam linha de crédito de US$ 1 bilhão lastreada em USDe

Em resumo:

  • FalconX e Ethena lançaram uma linha de crédito garantida de US$ 1 bilhão usando os ativos que lastreiam o USDe.

  • A estrutura é um SPV, com a FalconX originando e administrando os empréstimos e o colateral em custodiantes qualificados.

  • É uma das maiores alocações de capital on-chain em crédito institucional garantido até aqui.

FalconX e Ethena lançaram a linha para financiar empréstimos institucionais sobrecolateralizados, voltados a trading, tesouraria corporativa e serviços de pagamento. Para a Ethena, é uma forma de adicionar crédito institucional como fonte de retorno, além das estratégias de basis que hoje respondem pela maior parte do lastro do USDe.

O USDe é um dólar sintético de cerca de US$ 4 bilhões em capitalização, montado com colateral cripto e derivativos vendidos. Trazer esse lastro para uma linha de crédito muda um pouco a natureza do produto, porque parte do colateral deixa de servir só à paridade e passa a financiar operação institucional. É o tipo de movimento que aproxima o rendimento nativo de cripto de usos bem mais convencionais de balanço.

Esta foi a Stable News, uma curadoria semanal para te deixar a par das últimas atualizações envolvendo stablecoins ao redor do globo.

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